Educação infantil
O
ESTRESSE NA INFÂNCIA
1) O
que é estresse:
Estresse
pode ser definido
como “o conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica,
infecciosa e outras capazes de perturbar a homeostase” (equilíbrio).
Atualmente,
a frequente utilização deste termo pelos meios de comunicação favoreceu um
senso comum, compreendendo o estresse como o resultado de uma agressão ao corpo
ou à mente, resultando numa sensação de desconforto. A
mais moderna conceituação científica para este quadro, afirma que o estresse
fisiológico é um processo de adaptação normal. No caso de indivíduos mal
adaptados, podem surgir distúrbios transitórios ou doenças para as quais já
havia uma predisposição genética.
Podemos
ainda dizer que o estresse pode funcionar como uma espécie de aviso de que algo
no estilo de vida da pessoa precisa ser revisto ou reavaliado.
2)
Estresse infantil:
Já
foi o tempo em que estresse era considerado um mal somente de adultos. Os
estudos sobre da infância vão revelando que as crianças passam naturalmente por
inúmeros momentos de estresse e o mundo moderno se encarregou de agravar essa
situação. Entre as principais causas de estresse infantil estão: morte na
família, separação dos pais, mudança de cidade ou escola, provas, dificuldade
financeira na família, acúmulo de atividades extra-escolares e cobrança
excessiva. Espera-se que com o amadurecimento emocional, a criança consiga
encontrar mais tolerância para lidar com essas situações de desprazer. Vale
ressaltar que quando falamos de estresse na infância, também incluímos os
recém-nascidos. Aquele choro no berço, quando o bebê está molhado, com frio ou
com fome, também revela um estado de estresse. Nessa circunstância, entretanto,
ele não é motivo de preocupação, assim como também não o é em outras situações
como o primeiro dia de escola ou a chegada do irmãozinho, que são situações que
fazem parte de uma vida normal. Nesses casos, o estresse pode ser considerado
positivo, visto que se trata de uma resposta natural do organismo, levando a
criança a buscar uma adaptação ou uma solução, favorecendo o seu
desenvolvimento.
As
situações mais preocupantes são aquelas em que o indivíduo se mostra pouco amadurecido
emocionalmente ou aquelas em que está presente uma debilidade física. O quadro
se complica quando os problemas familiares tornam-se constantes. Essa realidade
leva as crianças a experimentarem situações conflitantes, levando-as ao
estresse. Os sintomas desse mal moderno são muitos: insônia, suor frio nas mãos
e pés, falta de concentração, agressividade, alterações no humor, entre outros.
3)
Criança também precisa de tempo:
Uma
das críticas atuais ao crescente número de casos de estresse infantil é a
alteração das atividades desenvolvidas com as crianças. Pouco se tem feito para
manter as brincadeiras típicas do mundo infantil como o faz de conta. O brincar
oferece à criança a possibilidade de resolver parte de seus conflitos e
dificuldades, abrindo espaço para a criatividade e a fantasia. A importante parte lúdica do
desenvolvimento infantil tem sido substituída pelas atividades extra-escoltares
como a computação, o inglês, a natação e outras. Normalmente, a escolha parte
dos pais, restando à criança dar conta da tarefa para não frustrá-los, não decepcioná-los.
Isso também constitui uma das causas do estresse infantil. Essa cobrança
exagerada que os pais impõem aos filhos, muitas vezes não é coerente com a
idade da criança, com o seu senso de responsabilidade e com aquilo que cada
criança é capaz de oferecer individualmente. É bom ressaltar que muitas vezes a
criança não consegue acompanhar o ritmo de vida que lhe é imposto e a
frustração diante do sentimento de fracasso pode trazer complicações e afetar o
desenvolvimento da auto-estima.
Num
mundo que exige cada vez mais o desenvolvimento precoce, cabe aos pais saberem
dosar a quantidade de atividades extra-escolares, de acordo com o ritmo e a
real capacidade de seus filhos, respeitando o momento deles. As atividades
lúdicas são um aspecto extremamente importante para o bom desenvolvimento da
criança e precisam ser valorizadas.
4)
Os reflexos do estresse na educação infantil:
Em
situações de estresse, as crianças geralmente ficam mais agitadas, irritadas,
choram sem um motivo aparente, apresentam um baixo rendimento escolar,
tornam-se agressivas, ansiosas, etc. Estes são alguns sinais que podem sugerir
um quadro de estresse infantil.
Para
os educadores, talvez os fatores mais preocupantes sejam o baixo rendimento, a
falta de concentração e os comportamentos agressivos. Como a escola não é a
única causa desta situação, muitas vezes é necessário que se comunique aos pais
o quadro observado, para que eles possam rever sua postura em relação aos seus
filhos.
É
comum que a causa do estresse infantil não seja de fácil solução (ex: brigas ou
separação dos pais) e, então, a situação requer o apoio de um profissional
especializado.
Mas,
fica ainda uma questão: que postura o educador deve adotar diante de uma criança
com um quadro de estresse? Diante das limitações do educador no que diz
respeito à interferência na vida familiar da criança, cabe-lhe saber ouvir,
compreender e acolher a criança, contribuindo para a formação de outros modelos
de relação consigo e com o mundo.
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www.eub.orq.brIcmIfl03/
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