Autoestima

AUTOESTIMA

1) O que é autoestima:

          Dentre os vários aspectos do desenvolvimento infantil, algo importante surge como fruto da relação que a criança vai estabelecendo com a mãe e com as pessoas com as quais convive: a autoestima.Podemos entender a autoestima como a maneira pela qual uma pessoa se sente em relação a si mesma, o quanto se respeita e o valor que se atribui. À medida que vai sendo construída, essa impressão de si vai ajudando a compor a identidade da pessoa.
          Entre as características de uma boa autoestima está a convicção de que “podemos ser amados”, de que “somos capazes de amar”, de que “temos valor” e de que “temos algo de bom” para oferecer a outras pessoas. Para que haja esta convicção é necessário que as pessoas que cuidam da criança sejam coerentes com aquilo que dizem e aquilo que realmente sentem em relação a ela. Não basta dizer à uma criança que a ama, é imprescindível que a própria criança sinta que isso é verdade. Principalmente no caso dos bebês, a nossa linguagem corporal (gestos, olhar, carinho, acolhimento, ...) representa um importante meio de comunicação.
          Devemos nos atentar para o fato de que a autoestima elevada, sendo um sentimento verdadeiro, não se apresenta de forma pretensiosa. Tal atitude tende a esconder na verdade um sentimento de inferioridade. É importante lembrar que as pessoas que se sentem realmente valorizadas não precisam perder tempo e energia tentando convencer os outros de que são importantes.
          O valor que a pessoa se atribui exerce forte influência na própria vida. Sabe-se que pessoas que puderam, ao longo da vida, fortalecer sua própria imagem possuem mais chances de obter sucesso, seja no campo pessoal ou profissional.                                                  Talvez, uma das funções mais importantes dos pais e educadores em relação ao desenvolvimento infantil seja ajudar a criança a criar um bom conceito sobre si mesma.

2) O desenvolvimento da autoestima:

          A imagem que uma criança tem dela mesma é formada a partir das relações afetivas que ela vai estabelecendo com as pessoas mais próximas. Desta forma podemos dizer que nós funcionamos como um espelho para a criança, mostrando para ela aquilo que ela nos faz sentir.
          As crianças nascem sem a noção de individualidade. Nascem emocionalmente “grudadas” com a mãe e precisam ir aprendendo que são indivíduos. Na sua imaturidade cognitiva e psicológica, os bebês recebem essas mensagens através de sensações corporais (tato, fome, sons, dores, afagos, saciedade, etc.). Tais sensações vão dando para a criança uma noção, ainda que rudimentar acerca de sentimentos como o amor e a hostilidade, por isso, são importantes nos atentarmos para a qualidade da troca afetiva entre a criança e a pessoa que se dispõe a acompanhá-la em seu desenvolvimento.
          Com a aquisição dos movimentos voluntários, surgem as primeiras experiências que unem aspectos cognitivos e emocionais a respeito da individualidade. O bebê percebe que há diferença entre a mãe colocar um biscoito em sua boca e ele mesmo fazer isso.
          Outro passo significativo na construção da autoimagem acontece no momento em que a criança aprende o próprio nome. É a construção deste símbolo que irá, inicialmente, diferenciá-la de outras pessoas e objetos.
          Entre os 12 e os 18 meses, aproximadamente, com o desenvolvimento da fala e da capacidade de andar, a criança já possui uma compreensão mais clara da separação no seu sentido corporal. No entanto ainda é presente uma grande dependência emocional. A separação, no seu sentido afetivo, só será impulsionada pela sensação de segurança, que favorecerá o desenvolvimento da autonomia.
          Por volta dos 6 anos, até a adolescência, a inserção da criança em grupos (Ex: escola, futebol, dança, etc.) expande as experiências afetivas e a opinião dos demais integrantes passa a ter influência significativa na estruturação da autoestima. As crianças que sentem que suas características são valorizadas pelo grupo sentem-se mais adequadas e aceitas. Já as que não são admiradas ou são criticadas tendem a se sentir isoladas e com pouco valor.
          É importante perceber que apesar de uma autoestima elevada depender de experiências de carinho e de êxito, isso não significa que as experiências negativas ocasionais causem danos permanentes, pois a imagem própria pode ser reconstruída a partir de futuras experiências afetivas.
          Diante da noção do desenvolvimento da autoestima, pode-se perceber a influência que os educadores têm na sua construção, por representarem também espelhos importantes devido ao tempo que passam juntos com as crianças e pelo afeto que elas depositam nos mesmos.

3) A baixa autoestima e o comportamento:

          As pessoas que possuem uma baixa autoestima normalmente se sentem inadequadas, sem valor e rejeitadas. Tendem à retração, à auto_ desvalorização e apresentam dificuldades nas relações interpessoais.
          Uma das situações que incomodam pais e educadores é o mau comportamento das crianças. Normalmente as que se comportam mal acabam sendo rotuladas e tendem a agir de forma coerente com a imagem que carregam de si. Desta forma, o comportamento indesejado tende a se repetir, acarretando mais críticas e punições e a criança não encontra apoio para desfazer a autoimagem deformada que construiu. É comum que as pessoas com uma autoimagem empobrecida criem defesas psicológicas contra o sofrimento causado pela sensação de ser inadequada e pouco amada. É o caso de pessoas que falam muito para obterem atenção o tempo todo ou pessoas que demonstram uma alegria exagerada na tentativa de esconder a tristeza provocada pelo sentimento de inferioridade.Outra forma de compensação observada é o desenvolvimento de habilidades que possam ser apreciadas como é o caso de modalidades esportivas, sucesso profissional, perfeccionismo, etc. No entanto, essa solução é paliativa e sustenta uma estrutura falsa, pois só poderá durar enquanto for possível manter a situação.      Além disso, a ameaça de perder o “lugar” arduamente conquistado pode gerar uma ansiedade intensa e frequente.
          Uma falsa fachada é outro recurso presente em alguns casos. São pessoas que temem serem percebidas como são na verdade. Por exemplo, pessoas que não suportam serem vistas desarrumadas ou aquelas que ficam desconcertadas quando alguém chega e encontra sua casa bagunçada.      Devemos perceber que quando uma pessoa se sente adequada intimamente, não tem necessidade de se mostrar sempre perfeita para os outros.
          Outro ponto importante a ser considerado é que mesmo uma boa autoestima pode oscilar ao longo do tempo em função de experiências frustrantes do cotidiano como a demissão de um emprego ou a reprovação no vestibular. Porém, se a pessoa construiu para si a imagem de alguém que tem valor, que é capaz e que merece ser amada, novas situações de valorização serão suficientes para reacender o sentimento de preenchimento e adequação, refazendo o entusiasmo pela vida.

4) Os educadores e a construção da autoestima da criança:

          Quanto mais cedo e frequentemente a criança experimenta o sentimento de não ser amada, a autoestima empobrecida fica mais rígida, o que dificulta sua alteração ao longo da vida. Neste caso é comum existir uma sensação de “vazio” e comportamentos que lembram um “saco sem fundo”, que nunca consegue se completar. O que parece acontecer é que a pessoa tende a recusar tudo aquilo de bom que possa contrariar seu conceito já cristalizado.
          Mas devemos nos atentar para o fato de que a autoimagem é construída e não herdada, podendo assim ser reestruturada, ainda que enrijecida. Essa alteração depende de novas experiências de êxito e aceitação. No entanto, alterar a imagem que se tem de si implica em mudança e essa, por sua vez, está ligada à possibilidade de se tentar algo novo. Significa rever conceitos muitas vezes tidos como verdades. Considerando-se que a construção da autoimagem ocorre de forma mais significativa na infância, é compreensível que quanto mais cedo esta distorção de imagem for corrigida, menos complicadas são as conseqüências ao longo da vida.
          Fica claro que além das questões educativas, os educadores têm um papel importante junto às crianças, no fortalecimento de uma boa auto-imagem e dos sentimentos de aceitação e adequação, contribuindo para que se tornem adultos mais seguros de seu valor e da sua condição de amar e receber amor.

5) A CRIANÇA RETRAIDA

          A definição de retração sugere algo que recua, que se retira. Crianças retraídas também fazem um movimento de retirar-se de um mundo que lhes pareça doloroso ou assustador demais. Tendem a comportamentos discretos e costumam passar despercebidas. Infelizmente, são admiradas por se mostrarem crianças quietas, educadas e bem comportadas. A preocupação dos pais só surge quando a criança começa a apresentar uma timidez exagerada, falando pouco e baixo, revelando dificuldades de socialização.
          Culturalmente, é aceito e esperado que as meninas sejam mais reservadas e os meninos sejam mais ativos. Essas concepções fazem com que os meninos recebam tratamento psicológico mais cedo e as meninas mais tarde.
          A retração pode provocar um empobrecimento das relações e das experiências emocionais que a criança precisa ter para que haja um bom desenvolvimento cognitivo e afetivo. Neste caso, espera-se que os educadores consigam entrar no mundo da criança e a incentivem a sair de lá, fazendo com que se sinta aceita e capaz de enfrentar o mundo. É um erro tentar arrancá-la da posição em que se encontra à força, exigindo tarefas de exposição. É necessária uma boa dose de delicadeza com uma criança que se encontra tão assustada diante do mundo.
          Ao contrário da criança agitada, a criança retraída conserva bem sua atenção e suas capacidades perceptivas. A conduta dos educadores deve girar em torno do acolhimento, da segurança, e de suaves exercícios de expressão.

BIBLIOGRAFIA:

• Briggs, D.C. (2000) A auto-estima do seu filho. São Paulo;
Ed. Martins Fontes.
• Winnicott, D.W. (1975) O brincar& a realidade. Rio de Janeiro,
Ed. Imago.
• Oaklander, V. (1980) Descobrindo Crianças. São Paulo;

Ed. Summus.

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