Vergonha de si mesmo: o que é isso do ponto de vista psicanalítico?
por SBPI em 01/03/2019
Sentir vergonha de si mesmo é algo comum. Qualquer
pessoa já passou por isso em algum momento da vida. Porém, há casos em que esse
sentimento toma maiores proporções e passa a impactar o funcionamento social e
profissional da pessoa.
Neste
post, vamos apresentar esse tema e entender o que é a vergonha de acordo com a
psicanálise, qual a sua origem e como o acompanhamento psicanalítico pode
ajudar a lidar com esse sentimento. Continue a leitura!
A vergonha segundo a psicanálise
Embora a
vergonha seja um sentimento conhecido, trata-se de um afeto de difícil
descrição. De acordo com a psicanálise, a vergonha caminha junto com o
narcisismo, o que nos leva a crer que, quanto maior a vaidade, maior o receio
de ser envergonhado diante de outras pessoas.
A
vergonha traz consigo a desqualificação em público, a boa imagem prejudicada e
a revelação de uma fraqueza. O medo dessa exposição coloca em risco a
autoestima e a autoconfiança do indivíduo. Então, para não ser indevidamente
exposto, ele recorre a determinados mecanismos de defesa e passa a mascarar
suas insuficiências.
Esse sentimento também está atrelado à sensação de
impotência e à imagem deturpada que cada um cria de si mesmo. Em nível
consciente ou inconsciente, o
indivíduo pode acreditar que é um ser inferior e indesejado, muito aquém de um
modelo idealizado.
A origem desse sentimento
A
vergonha está diretamente associada à necessidade de aprovação
social — ou seja, sua proporção é relativa ao medo que nutrimos em
relação ao olhar do outro. Isso nos leva a uma explicação sobre a origem da
vergonha: a criança que se desenvolve diante de críticas constantes pode
começar a inibir suas ações por acreditar que não é digna de amor e que tudo
que ela faz está errado.
Da mesma
forma, se a pessoa conviver com a negligência durante seus primeiros anos de
vida, ela pode crescer acreditando que é inválida e não merecedora de atenção.
O abandono afetivo e a falta de aprovação por parte de pessoas significativas
são fortes motivos para que se desenvolva o sentimento de rejeição
A diferença entre culpa e
vergonha
A
vergonha não pode ser encarada somente como algo negativo: ela também é um
componente da moralidade, portanto, um aspecto importante para a vivência em
sociedade. Assim como a culpa, trata-se de um regulador social.
Contudo,
culpa e vergonha são bem diferentes. O primeiro é resultante de um mal
proporcionado às outras pessoas, passível de julgamento, punição e reparação.
Já no segundo caso, é a autoimagem do sujeito que se encontra manchada, e para
isso não há absolvição.
A terapia psicanalítica para
lidar com a vergonha de si mesmo
Esse sentimento, em níveis excessivos, pode
impactar a vida da pessoa de forma bastante negativa. O indivíduo passa a se
esquivar de situações que o coloquem diante do olhar e das possíveis críticas
de outros. Dessa forma, ele limita sua interação social,
além de minar suas chances de crescimento pessoal e profissional.
A psicanálise pode ajudar a lidar com a vergonha de
si mesmo a partir de uma análise profunda que resgata emoções reprimidas e
derruba bloqueios inconscientes. Memórias internalizadas de experiências
dolorosas, como excesso de críticas na infância ou exposições vexatórias, podem
reforçar a formação de um ego sabotador ou de um superego altamente
punitivo.
Os
psicanalistas trabalham com uma escuta mais atenta e podem encontrar a origem
do sentimento de vergonha nas entrelinhas do paciente. Assim, também é possível
abrir uma porta que conduza a terapia a desnudar certos pontos de
narcisismo e clarear detalhes da psique do sujeito, que estavam ocultados pela
inibição.
No final,
o paciente descobre que o único remédio para a vergonha de si mesmo é o
fortalecimento da autoestima. Assim, a pessoa consegue aceitar seus
próprios defeitos e carências e se colocar diante do outro sem temer seu olhar
crítico e seus julgamentos, sejam estes reais ou imaginários.
Esse tema merece reflexão, não é mesmo? Se você se
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